16 de julho de 2017

carrega a luz
com o olhar desviado
o corpo cansado conduz
um cajado maltratado

nada abala o eremita
nem a caverna que habita
os amigos há muito perdeu
e as mulheres também esqueceu

a busca pelo seu nome o consome
e pode ser que tempo ainda tome

Textranscendente

Fui até Joyce,
tivemos uma conversa espirituosa,
sobre do que nascemos e para o que vivemos.

Visitei Borges,
sempre elegante,
montado nas suas bestas fantásticas com Bioy.

Com o velho safado aprendi a bater à máquina
E com o mestre do sonho a libertar o meu.

Mas o Mário,
não sei como vai da selva à cidade,
muiraquitã no peito
porque bate aquela preguiça.
ouvi que descansa ali
naquele túmulo
a saudade de todos os homens.

a minha, porém
é grande demais
para ser enterrada.

então por isso
a carrego, GIGANTESCA
no peito.

3 de junho de 2017

À luz do saber

A ciência se estabelece como um farol, destinado a guiar navegantes nos mares do desconhecimento. Em ilhas resguardadas, podem-se encontrar tesouros que servem de fragmentos na composição do que compreendemos.

A cada novo tesouro descoberto, a luz do farol científico se irradia para mais longe. Juntamos à nossa cartografia pequenos pedaços de mapas que são desenhados no decorrer das navegações. Barcos metodológicos, cada vez mais robustos tais qual o farol que orienta, suportam tempestades de questionamentos até chegar o tempo de abandoná-los por novas embarcações. Estas servirão a aventuras ainda mais ousadas.


O que aguarda ao final da viagem nem sempre é um baú de saberes sistematizado. Tantas vezes encontramos porções de mapas para juntar às anteriores e continuar a jornada infindável. Outras tantas, cruzamos com expedicionários diversos com quem trocamos peças do quebra-cabeça. Assim é formada uma rede de faróis capazes de iluminar, e só apenas, a superfície dos oceanos do desconhecimento.

27 de maio de 2017

teus olhos que mudaram
ou só começou a chover?

24 de maio de 2017

partir.
como corda tensionada
parte.
mas parte de mim
parte ao partir.
quem é o louco da história?
ele. eu, talvez
você aí ainda não
falta se atirar ao ar.