31 de julho de 2011

Sobre literatura e imagens

As boas ideias ocorrem geralmente no banheiro, não é verdade? Ali, em momentos sem muito o que fazer que não necessitam de tanto raciocínio (a não ser o pensamento rápido, pegador de sabonete que cai) as ideias correm soltas. E ao som de um Bob Dylan rústico, simplista, peguei-me pensando sobre este singelo espacinho aqui.

Tenho certeza que o visual d'O Narrador Morreu não agrada a muita gente. E nem é meu intuito fazer muito esforço para isso. À exemplo do outro morto, o célebre Cubas (sim, eu o considero uma de nossas preciosidades), escrevo pra quantos forem, sejam os cem de Stendhal ou os cinco desavisados. A arte fluida é mais sincera.

Este visual espartano (pare de considerar Esparta inferior a Atenas. Lá existia tanta cultura quanto na terra da deusa; e eu sei que estou começando a abusar dos parênteses, e como estou conversando com você agora, acostume-se ao meu jeito, múltiplas conversas numa só. É desnorteante mesmo.) pode muito bem afastar quem cai aqui, sem grandes motivações, perdido nas dezenas de links abertos do navegador. A falta de imagens funciona como um catalisador ao inverso; enquanto as figuras servem na internet neste tempo para sintetizar um pensamento ou posição, vários parágrafos empilhados consterna mais que prende. Mas sinceramente, a quê interessa um espaço de literatura a quem não gosta de ler?

Leitura é um mal endêmico do Brasil. Talvez seja até do mundo. Pegue as pessoas ao seu redor, e conte quantas leram três livros num ano. Não é me vangloriando, mas desde muitos anos que a minha média é em torno de sete. E neste ano já foram dez. Claro que não lembro de tudo, ou que só faço isso o dia inteiro, mas com certeza o contato com livros transforma as pessoas. É um papo até meio démodé, porém necessário. Acredita que ainda existem pessoas que não sabem usar preservativo, por puro desconhecimento? Então vamos lá, retornar o argumento. Ler faz viajar, encarar possibilidades, sentir coisas e BLÁ BLÁ BLÁ. Mas porra, por que com tantos argumentos positivos, ainda tem gente que não pega num livro em anos? Só posso pensar em preguiça. E é aí onde entram as figuras, pra facilitar o trabalho do preguiçoso.

Antes que você me entenda mal, eu amo imagens. Queria até ser fotógrafo de natureza se pudesse me aventurar e erótico se minha mulher pudesse deixar. E um dos gêneros de literatura que mais gosto é dos quadrinhos, vide Sandman, vide Crumb, vide V, vide Manara, vide Watchmen, Promethea, Preacher, os Marvel,  Hellblazer, Arkham, e mais um monte de coisa. Bota um Turma da Mônica na conta. Mangá? Hmm, vamos esquecer essa parte. Então o caboclo chega aqui, vê um monte de palavra, e nenhuma figurinha pra cativar. Lê um título, não descobre muita coisa, e vai embora. O recurso de adicionar uma imagem antes da postagem é esteticamente e literariamente bom, mas eu o dispenso pelo fato de querer conservar a surpresa dos contos, que considero como parte primordial na sua morfologia e gênese, que é pegar aquele pedaço escrito sem saber com o que vai se deparar. Ninguém faz contracapa de conto, ninguém faz resenha de conto (tirando os mais longos), e quase nunca o que está contido é revelado de início. O que pretendo é que esta surpresa causa um sorriso, uma lamentação. Uma leitura, um agrado com o que está aqui. Deixar-se guiar, como naquela velha teoria de Guy Debord que ainda terei o prazer de trabalhar com minha companheira.

E definitivamente o recurso de ilustrar é muito importante. Eu mesmo, se soubesse desenhar, o faria com frequência. Que fiquem aqui explicados meus motivos de suprimir figuras na maioria das vezes. Ah, esperem boas surpresas, pois estou trabalhando num conto um pouco mais extenso que surgiu de uma boa inspiração, e também o resgate de escritos mais antigos, coisa de 2006 pra cá.

(Primeiro texto feito direto no editor do Blogger, que por um acaso acho porco. Mania desses sites frescarem com meu amado Opera Browser...) 


Um comentário:

  1. Quer figura mais fascinante que o ":B"?
    Eu não conheço. Você é viciado em leitura, não que eu não seja, mas você é absurdo.
    Adoro os números e você sabe disso, mas o fato de gostar de uma coisa não elimina outra de caráter oposto. Todo mundo acha que gostar de matemática coloca de lado a literatura, o português...
    Isso me deixa a ponto de explodir.
    Adoro livros, só não tenho sua facilidade de ler, entender e poder reproduzir, tudo isso na primeira lida e com um desfile de escola de samba tocando ao lado.
    No mais, concordo em gênero, número e só [(porque grau não é flexão de substantivo) maldito parênteses, vou usar colchetes, nessa porra] com tudo que você falou. Não que eu não goste de figurinhas. Amo e adoraria ver uma aqui, nem que fosse bem pequena e no final do texto, mas vai do seu gosto, que é o dono dessa porra. Fica aqui quem quer, quem aprecia uma boa escrita ou simplesmente quem tá sem muito o que fazer.
    Mas merecia ser citado aí grandes nomes da literatura em figurinhas, como "O Diário do Banana". Vai dizer que num era bom? xD
    Isso sem contar Persépolis, Calvin e Haroldo, Snoopy...
    E nem venha cuspir no prato de comeu excluindo mangá dessa. Deixe de ser FDM, seu nóbi.
    Pra concluir esse comentário que parece um post, já falei que pode fazer suas fotografias eróticas, mas os direitos são iguais, sacou? :p

    Beijos, Amor.
    Amo você.

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