13 de setembro de 2011

Processo de Criação

Hoje vamos falar um pouco sobre processos criativos, crianças. A despeito de a primeira frase ser totalmente dispensável, o processo criativo é peça fundamental na gênese artística. Porque sem ele nada nasce, LÓGICO. Então vamos acabar esse primeiro parágrafo de argumentos rasos de redação de 9º ano.

Alguns têm processos criativos bastante peculiares; Dizem que Howlin’ Wolf gostava de acender um cigarro ao luar cheio para criar rimas dolorosas, enquanto Dee Dee Ramone tinha a especial habilidade de fabricar hits musicais depois de seus programas na 53rd and 3rd. Logicamente isso poderia ser repetido aos que navegam nas artes visuais ou literárias, principalmente se eu não tivesse inventado tais fatos. O que importa, na realidade, é que a criação é única para cada um, mesmo através de métodos maçantes ou mesmo estados mágikos.

Particularmente, gosto de conhecer como aqueles que admiro criaram as obras que admiro. Podemos traçar algumas identidades, levando sempre em conta o estado de preparação. Acho que seja isso o que difere entre cada um, afinal, cada um é capaz de criar algo do nada ou planejadamente.

O que muda então é o grau, a intensidade com que faz isso. Tenho certeza que Tolkien preparou pilhas e mais pilhas de anotações, desenhos e rabiscos à parte antes de dar corpo à sua mitologia (o que acabou dando muito trabalho para seu filho organizar no post-mortem). Na maioria das vezes eu sigo um caminho totalmente oposto, deixando a história fluir. Fecho os olhos, ou apenas vou escrevendo, sem nem conhecer o desfecho. Na verdade, a história já está pronta em algum lugar, mesmo que seja num plano mental. O trabalho do autor, como um médium, é resgatá-la, guiá-la. Poder-se-ia dizer até que é um trabalho prostituído. Venham, histórias, utilizem-me como percurso para ganharem vida.

Vez ou outra pego um papel para anotar algumas características, principalmente nos escritos maiores ou que exigem um pouco mais de complexidade, sobretudo nas entrelinhas. Engraçado que, na minha vida pessoal, tenho tudo metodicamente organizado, talvez até a ponto de ser doentio. Não tenho a mínima ideia como funciona esse mecanismo de preparação, e tendo em vista o relatado acima, não deve ter muito a ver com as características pessoais dos autores. Ou eu sou anormal mesmo, nada sine qua non.

Outro ponto importante, e que me leva a escrever este texto, é sobre a preparação do estado de preparação, ou como um bom RPGista do Sistema Daemon diria, uma metapreparação. Certos escritos precisam de um estado de espírito ou consciência específico. Sabe aquela coisa que o poeta é, antes de tudo, triste? Então, é meio complicado escrever poesias de amor complicado se você está saltitando de alegria e com a cabeça em ordem.

Estar alinhado com o tipo de nível que se pretende escrever é imprescindível. Por exemplo, no último publicado, quis dar um tom bem depressivo. Posso não ter conseguido, mas com certeza seria bem difícil se não tivesse colocado, por exemplo, a temperatura do quarto no mínimo possível, e algumas coisas meio tristes pra tocar, tipo um Cazuza.

Só que às vezes os processos se invertem, ou se diversificam. Por exemplo, escrevi isso daqui antes mesmo de dar vida ao último publicado. Assim compliquei foi tudo. Leia com calma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário