15 de março de 2013

A morte do MSN Messenger


Então, é hoje que o MSN Messenger será assassinado. Em alguma hora deste dia funesto, alguém vai arrancar os últimos fios, e os derradeiros servidores que ainda funcionam apagarão todas as suas luzes verdes e azuis.

Ora, esta não é a primeira e nem a última morte no território virtual. Quantas presenciei? IRC, Orkut, Fotolog, uma dúzia de outros sites? Mais recentemente, o Google Reader? Certo, não foram poucas. Mas drásticas, como a do MSN, nenhuma. Todos esses continuam sobrevivendo em algum canto obscuro ou foram suplantados por outros.

Aliás, basta comentar que para a geração que deu seus primeiros passos online durante os anos 2000, o MSN e sua borboletinha tem seus lugares especiais. A identificação foi mais forte. Era voltar do colégio, ligar rapidamente o computador, estabelecer aquela conexão discada e procurar o ícone de “disponível” da garota que se paquerava, e para os mais sortudos, deleitar-se nas conversas que se estendiam por horas. Era comentar sobre as fofoquinhas de adolescente com os companheiros de recreio. Presenciar comerciais toscos na TV com aquele sujeito vestido de borboleta. Ou para os mais audazes, estabelecer conversas com seres de longínquas cidades que, pasme, talvez ainda até lembrem de você. Tudo isso numa época onde usar Internet Explorer era regra.

Juro que demorei a pensar alguma coisa mais pessoal sobre o assunto. Primeiro, levantei a análise do esquema da Micro$oft em combater o domínio do Amigooooogle. Comprar e investir no Skype realmente vai se mostrar uma boa estratégia, ainda mais quando o adversário só tem um único produto forte em comunicação social – o GMail. E que com a melhora dos padrões de conexão, conversas por vídeo e voz serão ainda mais frequentes em lugares remotos.

Aí pensei também sobre a evolução natural do ecossistema dos serviços virtuais. O aprimoramento e mudança são constantes e ativos. Ninguém há de pensar que nunca vai chegar a hora de recolher as fotos do Facebook para subir em outra plataforma. É um retrato de gerações – a fila anda.

Mas eu seria tolo se não pensasse que, de certa forma, uma das mais importantes partes do território virtual de minha época está nos abandonando, e isso significa que uma parte de nós também se vai. É como aquele amigo que, mesmo distante, ainda estaria ali se você precisasse. Por mais tempo que eu não usasse o serviço (2 anos e contando), ele nunca perderia seu referencial.

"Ah, é bobeira", diriam alguns. A estes faço o favor de relembrar pequenos e especiais momentos, como aquela agourenta evolução da versão 7.5 para a linha Live. Ou os winks que pipocavam na tela sem permissão, geralmente enviados pelos nossos amigos que a cada cinco palavras, três estavam ininteligíveis por conta de caracteres em forma de emoticon. Aliás, obrigado ao fulano que me enviou a interrogação que sangrava ou a raposinha brasileira Pyong.

E a quem caiu nas brincadeiras de vírus e invasão por IP? E a quem ficava off-line evitando pessoas, sem saber que já estavam bloqueadas de antemão? Ou mesmo aquelas que, nesta fatídica semana, agarram-se firme nos últimos momentos, esperando que, se não desconectarem, haverá um único e tímido servidor para abrigá-las? A todos esses eu só quero lembrar o aspecto mais importante disso tudo. Nós envelhecemos. Há quantos anos você está nessa? Uma década ou pouco mais, talvez?

E a quem não faz parte dessa geração e não entende as palavras, peço o favor de pensar naqueles lugares para onde se costumava sair e encontrar os amigos, e que por lances da vida foram deixados de frequentar. A sensação é bem parecida.

(Qual você aposta para o próximo fim? Meu lance vai no Orkut e no Pirate Bay.)

Um comentário:

  1. Eu nem quero apostar. xD

    Gostei do que você fez com o layout, ficou realmente bom.

    Eu realmente não queria que isso acontecesse. Tenho alguns contatos que não possuem facebook e que vou perder pra sempre. :(

    E emoticon eu acho que é com n no fim, não?

    beijos, amo você.

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