7 de agosto de 2013

Revolta*

Eu vim das raízes do povo, o povo que sofre;
Que tem nenhum tesouro além da esperança,
Ou riquezas construídas além da memória de glórias antigas.
Minha mãe me deu à luz em cativeiro, e em cativeiro a minha mãe nasceu,
Eu sou do sangue dos servos;
As crianças com quem brinquei, os homens e as mulheres com quem comi
Tiveram senhores sobre eles, estiveram sob o chicote desses senhores,
e, apesar de nobres, serviram a rudes.
As mãos que tocaram as minhas,
as queridas mãos cujo toque me é familiar
Usaram algemas vergonhosas, tiveram o pulso mordido,
envelhecem duras com as algemas e o trabalho para estranhos.
Eu sou carne da carne destes humildes, eu sou osso de seu osso que nunca se entregou;
Eu que tenho uma alma maior do que as almas dos senhores do meu povo,
Eu que tenho a visão e a profecia, o dom do discurso flamejante,
Eu que falei com Deus no cume de seu santo monte.
E porque eu sou do povo, eu entendo o povo,
Estou triste com a sua tristeza, e faminto com seu desejo;
Meu coração está pesado com o sofrimento das mães,
Meus olhos foram molhados com as lágrimas das crianças,
Eu sensibilizava com velhos homens saudosos,
E ria e amaldiçoava com jovens homens;
A pena deles é minha pena, e eu me avergonhava
Vergonha por aquilo que serviram, eles que deveriam ter sido livres
Vergonha por onde foram, enquanto outros estavam satisfeitos,
Vergonha por terem andado com medo dos legisladores e seus carcereiros.
Com seus mandados e suas algemas,
Homens ruins e cruéis.
Eu poderia suportar chamas no meu corpo
Ao invés desta humilhação do meu povo.
E agora eu falo, cheio de visão,
Eu falo para o meu povo, e eu falo em nome do meu povo para
Os senhores do meu povo.
Digo ao meu povo que ele é sagrado,
Que eles são grandiosos, apesar de suas correntes.
Que são maiores do que aqueles que os aprisionam
E mais fortes e mais puros,
Que eles têm, mas precisam de coragem para invocar o nome do seu deus,
Deus poderoso, qualquer que seja mas que ame as pessoas
E por elas morreria em humilhação.
E eu digo aos senhores do meu povo: Cuidado
Cuidado com o que está chegando, cuidado com as pessoas que se levantaram
Aquelas que devem tomar o que vós não daríeis.
Será que vós pensareis na conquista das pessoas, ou que a lei é mais forte do que a vida,
E do que o desejo de liberdade dos homens?
Vamos provar, vós que tivéreis atormentado e trancado,
Vós, que tivéreis intimidado e subornado.
Tiranos... Hipócritas... Mentirosos!




*Gentilmente roubado e adaptado de The Rebel (1916?), por Pádraig Anraí Mac Piarais (1879–1916).

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